Essa crônica foi a última da série Viadialdo. Espero que tenham gostado. Acho que pra semana vou contar outras histórias do Zé.
Escrito por Paulo Ronaldo às 12h09
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Viadialdo e o extraterrestre
(Crônica V)
A vida como religioso não durou muito tempo. O pastor Viadialdo não conseguiu muitos adeptos à sua religião, além de sua mãe, contra a vontade, que fique registrado, e o irmão caçula, cujos olhos grandes denunciavam o parentesco. Sem emprego, o ex-psicólogo, ex-diretor cultural, ex-diretor do Teatro Tucuju, ex- diretor do Forte, ex-esportista, ex-pastor, ficava perambulando pelas ruas da cidade, à procura do nada. Todos os amigos haviam lhe abandonado, estava só. Mas acreditava que veio ao mundo predestinado a realizar uma missão especial. E mais uma vez o destino ou coincidência mudou novamente a vida do nosso personagem.
O fato aconteceu quando Viadialdo tentava explicar para um grupo de quatro cães a importância dos irmãos Lumière para o cinema mundial e do socialismo dentro de uma sociedade. Quando ia falar sobre Marx, viu passar, a pouco mais de 200 metros, um objeto voador não identificado.
O OVNI fez uma manobra de 360 graus e ficou parado, por alguns segundos, em frente ao rapaz e lentamente o objeto foi descendo ao chão.
- Valha-me, Deus! - estas foram suas únicas palavras, antes de ser afetado por um raio paralisante, para em seguida ser abduzido. No interior da nave estavam cinco ETs, que se não fosse pelo fato de terem vindo num disco voador, qualquer um poderia jurar que eram parentes de Viadialdo. A diferença era apenas na cor, pois os grandes olhos eram idênticos.
- Terrestre - falou um deles. - Viemos de um planeta distante e queremos analisar algumas amostras de sua espécie, por isso vamos levá-lo conosco. (Continua)
Escrito por Paulo Ronaldo às 12h08
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O rapaz, em silêncio, apenas observava com os olhos tão grandes quanto os dos visitantes.
- O que querem de mim? - finalmente falou.
- Queremos analisar o comportamento mental dos terrestres - respondeu o ET. Os olhos grandes de Viadialdo começaram a brilhar, enquanto ele pensava: “entre toda a humanidade eu fui escolhido. Seres de outros planetas perceberam a minha existência”.
- Por que fui escolhido? - perguntou.
- Foi o primeiro que encontramos.
Não era essa exatamente a resposta que o rapaz esperava, mas que importância tinha isso agora? Os Ets colocaram um objeto semelhante a um capacete e através dele puderam observar toda a trajetória de Viadialdo. Após algumas horas de analise, deixaram o rapaz no mesmo local onde o encontraram. Os extraterrestres chegaram à conclusão que toda a cidade Tucuju já sabia: que ele era o maior demente das galáxias, do universo, do cosmo, de tudo. É claro que omitiram esta informação ao rapaz.
Viadialdo saiu correndo para contar a Deus e ao mundo que fora abduzido, e que os ETs afirmaram que ele era um ser especial. Lembrou da mãe, queria que ela fosse a primeira a saber da grande notícia. Contou-lhe tudo. Sua mãe, serena e um pouco mais sã, apenas respondeu: meu filho, tu já tá fumando maconha de novo. Deixa essa vida e vai vender picolé.
Escrito por Paulo Ronaldo às 12h07
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Viadialdo, o imortal
(Crônica IV)
Era dia de luto na cidade de Tucuju. A tristeza era transparente nos olhos daqueles que, por alguma razão, admiravam Viadialdo. Duas ou três pessoas, além de sua mãe. Ninguém aceitava a tragédia. Não compreendiam porque um homem, aparentemente saudável, embora louco, fora arrancado tão bruscamente do seio de sua família. Seio mesmo. Viadialdo mamava aos 35 anos.
O leitor, curioso, talvez queira saber detalhes desta morte tão súbita.
Tudo começou depois do lamentável episódio ocorrido no Forte Tucuju e da pena de um ano cumprida no Manicômio Municipal. Viadialdo mudara completamente seu comportamento. Não existiam mais em sua cabeça projetos mirabolantes. Estava são, de acordo com o diagnóstico do médico, responsável por seu tratamento, que por coincidência era seu primo.
- Espero que você tenha abandonado por completo seus projetos. Não quero mais vê-lo por aqui.
- Hoje tenho consciência que minhas idéias eram loucas demais. Abandonarei a psicologia, a cultura e vou virar esportista - disse o paciente, com os olhos tão grandes quanto os de seu primo, o que deixava visível o parentesco.
- Ótimo! O que você pretende fazer? - perguntou o primo olhudo.
- Quero ser o primeiro a atravessar o rio Tucujuzinho - disse sorrindo.
- Muito bem, muito bem, a natação é um excelente esporte.
- Não! Eu vou atravessá-lo a mergulho. (Continua...)
Escrito por Paulo Ronaldo às 10h33
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O primo sorriu e creditou que se trava de uma doce piada.
Se concretizado, seria realmente um feito grandioso, principalmente se levasse em contra o fato de que o rapaz se afogava até com água do banheiro.
Durante dois meses, o trabalho de Viadialdo foi preparar o equipamento para realizar o que não deixava de ser mais um louco projeto.
O que ninguém sabia é que o rapaz queria atravessar o rio Amazonas andando por baixo d’água. Quando finalmente concluiu sua roupa especial, que pesava mais de cinqüenta quilos, comprou o equipamento de filmagem. Estava disposto a fazer sua aventura no anonimato, para depois mostrá-la ao mundo.
Esperou a maré encher e atirou-se nas águas turbulentas do rio. Pela distância em que o corpo foi encontrado, os peritos concluíram que o rapaz deu pouco mais de vinte braçadas ou passadas, já que ele ia andando.
- Pobre rapaz, não teve tempo nem para retirar esta armadura - disse o perito.
- Não ia adiantar, moço: ele não sabia nadar - comentou a mãe de Viadialdo - ele iria morrer que qualquer jeito. Foi melhor assim. (Continua ...)
Escrito por Paulo Ronaldo às 10h33
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E lá estava , dentro de um belíssimo caixão, o corpo de um homem que foi incompreendido em seu tempo. Ao lado do corpo estava sua mãe, o dono da funerária, querendo receber o seu dinheiro, e alguns curiosos. Para azar do pobre rapaz, justamente no dia em que morreu, a cidade estava em festa. Churrasco e cerveja grátis para o povo. Ninguém nem lembrou de sua morte ou, se lembrou, todos estavam comemorando.
No cortejo faltaram braços para carregar o caixão. O jeito foi levar em um carrinho de mão. Nem o padre compareceu, alegando uma gripe forte.
Mas no momento que o coveiro ia depositar o corpo no buraco, para espanto de todos, o defunto gritou: “Não me joga não! Deus me deu mais uma chance”. Tarde demais, o coveiro se assustou, como todos, e largou de uma só vez o caixão. O povo, quatro pessoas, saiu em disparada. Um deles ainda comentou: “acho que dessa vez ele foi”. Mas como não havia lugar, nem no céu e nem no inferno, o rapaz voltou. Dizia agora que queria ser chamado de “pastor Viadialdo” e que era enviado especial de Deus.
Escrito por Paulo Ronaldo às 10h32
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