A partir de hoje vou publicar uma série de cinco crônicas que falam sobre a mesma pessoa. Quem é, na verdade não importa, mas o cara atrapalhou tanto a minha vida quando era diretor cultural que resolvi imortalizá-lo. O Paulo Tarso gostou do texto, mas disse que o dito cujo não merecia uma linha sequer. Bom, espero que gostem.
Escrito por Paulo Ronaldo às 09h18
[]
[envie esta mensagem]

Viadialdo, o alienista (Crônica I)
Machado de Assis que me perdoe, mas o Dr. Bacamarte era são, se comparado com Viadialdo, um rapaz medíocre, de baixa estatura e grandes olhos. No amor, Viadialdo era um desastre. Não compreendia nada, dificultava as coisas mais simples. Sua mãe dizia: “Viadialdo, presta atenção meu filho”. Era em vão, o garoto não tinha aptidão para nada.
Aos trancos e barrancos ele cresceu. E para compreender a si mesmo, o complicado rapaz formou-se em Psicologia. Porém, tudo o que conseguiu foi ficar mais confuso, sua mãe o alertava: ‘‘Meu filho, deixa esta vida. Psicologia não é teu forte, vai vender teu picolé’’. Um dia, a sorte bateu em sua porta. O convidaram para ser Diretor Cultural da pequena cidade de Tucuju. O rapaz, afoito, logo aceitou o convite. Sua mãe, com os olhos mais abertos, sentiu-se na obrigação de alertar o filho: ‘‘Viadialdo, não inventa moda, cultura ainda é mais complicado que psicologia”.
Porém, o rapaz estava certo de que havia encontrado sua vocação, apesar de não conhecer nada sobre cultura. Tucuju era uma cidade cultural e o psicólogo logo se viu confuso. Fazer o que com tanta cultura? De início fez vários projetos, cheios de boas intenções, é verdade, mas eram projetos de urbanização, projetos lunares. O jovem rapaz esqueceu que era diretor cultural.
Logo vieram as críticas. E para se defender, Viadialdo explicava as teorias de Freud, às vezes até Aristóteles, um gênio da matemática, que segundo Viadialdo, a soma dos quadrados dos catetos é igual a uma sextilha. E por aí afora. Já totalmente enlouquecido, o rapaz de olhos grandes organizou um Festival de Rock. Uma prévia, porque na verdade Viadialdo queria que o mesmo fosse realizado na Lua.
Quando todos dançavam ou pulavam, não se sabia muito bem, Viadialdo, envolvido pelo rock, pediu para que todos dessem cabeçadas na muralha do grande Forte, para que esta fosse quebrada. Neste momento, a multidão revoltada com a idéia pegou o jovem mancebo e o atirou contra o paredão de pedra. Sua mãe inconsolável dizia: ‘‘Eu disse para este menino ir vender picolé. Mas ele nunca me ouve”.
Escrito por Paulo Ronaldo às 09h17
[]
[envie esta mensagem]

Outras histórias do Zé
Bom, não resistir e a atendendo a pedidos vou contar mais uma história do Zé.
O Adriano era cinegrafista e foi demitido. Passados duas semanas ele voltou ao prédio do SBT, para esperar um colega e ficou sentado na recepção esperando o dito cujo sair, eis que entra o Zé.
“Ei, ei, ei, ei meu irmão, o que é tu faz ai parado? Ta, ta todo mundo trablhando. É por isso, é por isso que as coisas não vão pra frente... bem aqui”.
O Adriano, meio sem jeito, respondeu: “Seu Zé, o senhor me demitiu semana passada, lembra”.
O Zé para não ficar perdendo não pensou duas vezes.
“Meu, meu irmão, meu irmão, então tu, tu, tu tá contratado de novo. Pega a câmara e vai pra rua, meu irmão”.
E o Roberto Gato que foi contratado para ser o diretor geral de jornalismo. Ele que conta bem essa história. No primeiro dia de trabalho o Zé lhe mostrou a sala onde ele trabalharia. Tudo eram flores.
“Tu, tu é bom meu irmão. Eu vou, eu vou, eu te pagar em dólar, tu vai ficar rico, junto comigo. Nós, nós, nós vamos fazer o melhor jornal do Amapá”
Passados alguns dias, sem mais, nem menos, na segunda-feira Roberto Gato chega para trabalhar e cadê sua porta? O Zé simplesmente tinha mandado colocar uma parede de alvenaria no lugar da entrada. E lá foi o Gato saber o que tinha ocorrido.
“Meu irmão, meu irmão eu resolvi fazer umas mudanças, mas, mas não te preocupa, eu já, eu já falei pra Lurdes e ela vai te dar dez mil dólar por esses cinco dias de trabalho”.
Escrito por Paulo Ronaldo às 08h50
[]
[envie esta mensagem]

|