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HISTÓRIAS DE UM JORNALISTA
 


As frases do Zé

 

Em 2003 trabalhei como redator do Programa Meio Dia (SBT) e entre tantas histórias hilárias que ocorreram por lá tem uma que até hoje quando lembro caio na risada. Um dia estou lá sentado com meu amigo José Marques Jardim, por volta das 7h, pensando nas pautas do dia, quando chega José Alcolumbre (um homem sério e honrado, diga-se de passagem) e com toda sua simplicidade nos chama e diz (fechem os olhos e imaginem o Zé falando): “Ei, ei, ei, meu irmão,. Eu tô, eu tô, eu tô pensando em abrir um novo quadro no programa e preciso da ajuda de vocês”.

Sem saber do que se tratava, Jardim e eu perguntamos o que era, eis que surge a resposta: “É mais ou menos assim: Todo dia, eu vou colocar um pensamento meu, que eu to, que eu tô pensando em chamar As Frases do Zé e passar um pouco do meu conhecimento para as pessoas. É, é, é é um conjunto de palavras que eu vou escrever e quero que vocês coloquem num linguagem mais popular, porque é muito complexo para povo entender”.

Nós dois, continuávamos pasmos, só observando atentamente.

“São frase, tipo, tipo, tipo daquele escritor Paulo Coelho, só que com mais sabedoria e que só povo seguir, em pouco tempo todo mundo vai tá rico como eu, meu irmão. Mas eu tô pensando ainda e amanhã eu falo, pra vocês. Agora vão trabalhar, meu irmão, senão vou te demitir vocês. Eu tô brincando”.

E os dias se passaram até que nós dois fomos demitidos e até hoje não sabemos que pensamentos sábios eram esses, que deixariam todos ricos, inclusive nós dois.

 

Ainda sobre o Zé.

Uma vez o Jardim foi pedir um aumento de salário. Ele, calmamente olhou para o Jardim e disse: “Meu irmão, meu irmão tu é, tu é o melhor repórter que eu tenho, eu, eu, eu acho até que tu é o melhor do Amapá. De Belém pra frente, tu vale uns cinco mil, mas aqui eu só posso te pagar 500. Na verdade, Jardim, eu te pago mil, não aparece porque o governo federal leva tudo”.

Jardim saiu da sala puto da vida, tanto com Zé quanto o governo federal. Reclamamos tanto, que um dia chegamos lá e estávamos demitidos. Fomos conversar com o Zé, para saber os motivos e eis que surge a resposta.

“Ei meu irmão, ei meu irmão, ei meu irmão, isso é coisa do Vicente (Vicente era o gerente do Zé). Eu, eu, eu nem sabia disso, eu tô perplexo com essa atitude do Vicente e agora não posso fazer nada, se não vou ta desmoralizando o cara. Mas deixa passa um tempo que vocês voltam. Vocês são bons pra caralho”.



Escrito por Paulo Ronaldo às 09h31
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Instinto falho

 

Quem não conhece o Samuel Silva, o famoso Jurumim. Bom ele é um cara bacana, mas tem um defeito que às vezes se torna em qualidade, diga-se de passagem, pouquíssimas vezes. Ele não pode ver um carro-tumba que logo sai atrás. Quando trabalhamos juntos no Diário do Amapá, conseguimos grandes matérias, mas teve uma situação que foi interessante. Estávamos indo para a Politec, quando o carro-tumba passar por nós e o cara faz sinal de positivo. Era um presunto, disse o Samuel. Demos meia volta e fomos atrás. Encontramos os peritos na primeira Balsa de Mazagão. Chegando lá fomos informados de que se tratava de um suicídio. A princípio era em Mazagão Novo, até aí tudo bem, dava para ir. Na verdade eu não queria, mas o Samuca insistiu, insistiu e eu acabei concordando. Quando chegamos em Mazagão descobrimos que o fato tinha ocorrido há 30 km dali. Como não tínhamos combustível suficiente resolvemos ficar na delegacia esperando. Dá 17h, 18hs, 19h e nada do carro-tumba voltar. Resumindo eles foram chegar por volta das 21h. Pararam na delegacia e o carro foi logo cerca por curiosos. O Samuel então chegou com um perito e foi logo dando a dele: “Abre logo aí e deixa eu fazer uma foto”. O perito olhou pro Samuel e disse que não dava porque tinha muita gente. Então o Samuel retrucou: “Tudo bem, agente para mais ali na frente eu bato”. O perito já irritado disse: “Samuel tu ta ficando doido. Daqui a pouco tu vai querer que eu pendure o cara numa árvore para ti fotografar. Além do que quem decidi isso é a mulher ele”.

Tentamos conversar com a viúva e nada. A mulher abalada parecia irredutível. Até eu expliquei que seria importante divulgar na notícia para evitar que outras pessoas cometessem o mesmo ato e coisa e tal. Só potoca.

Ela concordou. Então na saída da balsa os peritos pararam o carro e o Samuel da posição em que estava começou a fotografar. Mas o ângulo que o defunto estava não me agradou, foi então que eu pedi para o Samuca entrar e bater a foto de entro para fora. Ele reclamou, reclamou, mas foi. E lógico bateu de mau gosto a foto e quando chegamos no jornal, para meu alívio, foi a única que prestou.

Outra história da Samuca foi quando ele convenceu a Tica Lemos a seguir outro carro-tumba. O suposto crime tinha ocorrido logo após a primeira balsa. Lá foram os dois. Quando chegaram no local, havia realmente um corpo, mas era de uma senhora de 70 e poucos anos que havia falecido de ataque cardíaco, como em sua idade. A Tica queria matar o Samuel, para não perder a viagem ela acabou fazendo a matéria.



Escrito por Paulo Ronaldo às 10h17
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Um sonhador

 

Quem conhece o Paulo Tarso, presidente da Associação Amapaense de Escritores, sabe que ele é um cara realista, com o pé no chão. Quando anunciei a publicação do meu primeiro livro (Poesia Marginal) feito em parceria com o jornalista José Marques Jardim, o Paulo nos chamou e disse: “Não fiquem triste se só aparecer umas 10 pessoas”. O comentário tem procedência. Aqui, as pessoas pouco valorizam os escritores e poetas locais. Mas no dia do lançamento do nosso primeiro livros as previsões do meu amigo Paulo Tarso deram erradas. Isto porque, a noite de autografo foi no antigo IETA, para três turmas do curso de magistério.

Toquei neste assunto para dizer que ano passado, um conto de minha autoria (Liberdade) foi escolhido como leitura obrigatória do vestibular da Unifap. Eu empolgado com tudo isso, mandei confeccionar três mil folderes contendo o conto. Fui correndo mostrar para o Paulo Tarso. Ele, sereno como sempre, disse: “Paulo, isso não vai dar certo. Se tu vender 100, vai ser muito”. Como reposta disse que cobraria só dois reais e por ser um valor tão baixo eu venderia bem, afinal, são mais de 10 mil inscritos.

E não é que ele tinha razão. Coloquei os folderes para vender na banca do Ceará. Cara, depois de três meses eu só tinha vendido 70. Se tivesse pago a impressão o prejuízo seria maior. Nos cursinho, como no Paulo havia me prevenido, os professores e vestibulandos optaram por xerocar. E assim encerrou mais um capítulo da minha vida como escritor. Tenho um livro pronto para ser impresso, mas preciso me recuperar primeiro dessa decepção cultural. Ainda tenho um monte de folder com o conto. Se alguém quiser por pegar aqui na Gazeta.

Escrito por Paulo Ronaldo às 09h10
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Uma história

 

Ontem foi o aniversário da minha amiga Rita Torrinha. Então lembrei de uma história que aconteceu com agente. Fomos acompanhar o ministro Olívio Dutra (Cidades) que foi em Laranjal do Jari inaugurar um conjunto habitacional. A Gazeta ainda era semanal. A Rita fez um texto lindo, descrevendo as belezas naturais que ficam as margens da BR 156. Ficou impecável, até que fizeram uma pequena mudança colocando tudo na primeira pessoa e o lide ficou mais ou menos assim. “Eu e o Paulo Ronaldo saiamos de Macapá em direção a Laranjal...” A Rita odiou a mudança porque ficou horrível. Acho que esse foi o pior texto da vida dela.



Escrito por Paulo Ronaldo às 09h08
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Meu fim de semana.

Depois da chegada fomos preparar a broca.

Na foto eu, Alcemira, Angelo e Lilian.

O Elder bateu a foto, claro.


Aqui eu mostrando meu dotes na pescaria. Esse foi o único que pegamos.

A mulher do meu lado é minha esposa.

O Angelo e o Elder tomando um banho de boia. Cara esse rio é tudo de bom.

Ah! Eu esqueci, estavamos na Lontra da Pedreira

 

 

Eu, rio e Deus. Foi um fim de semana maravilhoso.



Escrito por Paulo Ronaldo às 14h14
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Descanso merecido

 

Puxa vida. Hoje estou atrasado. É que no fim de semana, consegui uma folga e fui para o interior. A cidade cansa às vezes e é na mata que encontramos força para nos curar de todos os males.

Fomos eu o Ângelo e o Elder. Cada um com suas respectivas esposas e namoradas. Levamos seis caixas de kaiser. O Ângelo chegou a comentar que era um exagero. Exagero que nada. Acabamos tudo ainda na noite de sábado. No domingo, quando acordamos fomos fazer a conta e nosso saldo era de somente oito latinhas. Claro, tivemos que atravessar o rio e comprar mais algumas. Mas foi maravilhoso.



Escrito por Paulo Ronaldo às 10h52
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“Meu primo”

 

Vocês conhecem o Gabriel Penha? Pois é. Conheci esse rapaz quando ele foi fazer um estágio no Diário do Amapá. Ai um belo dia, teve um assassinato e eu pedi que o Gabriel entrevistasse a mãe da vítima. Na verdade dei a ele o gravador e pedi que fizesse duas perguntas. Como tinha ocorrido e o crime e se a família tinha algum suspeito.

Lá foi o Gabriel com o gravador na manhã acompanhado do Jurumim. À volta ele me entrega o gravador e começo a decupar a fita. Quando as duas perguntas acabaram, ele sem ter o que dizer para a mãe do rapaz, comentou: “É triste, né” e a mãe do rapaz concordou: “É, é triste meu filho”. E assim começou a vida profissional do menino Gabriel.



Escrito por Paulo Ronaldo às 10h52
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