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HISTÓRIAS DE UM JORNALISTA
 


O Bêbado e o Santo

 

Era madrugada. A brisa, suavemente, anunciava o amanhecer.  A convite do garçom, fui obrigado a deixar o local onde solitariamente eu bebia. Antes de sair pedi uma garrafa. Acho que era de vinho, não lembro muito bem. Alguns casais ainda se amavam na beira do cais, uns mais audaciosos que os outros.

A maré estava seca. De repente olhei em direção ao rio e observei um vulto distante. O álcool me impediu um raciocínio lógico. Na minha utopia eu acreditava que se tratava de um bêbado, tão solitário quanto eu, que também procurava uma companhia para falar de seus lamentos.

Logo me vi caminhado em direção ao vulto. A lua ofuscou meus olhos e a embriagues não me permitiu ver claramente o meu suposto amigo. Apresentei-me. Mas logo vi que se tratava de um homem calmo que preferia o silêncio às palavras. Comecei então a travar o meu interminável monólogo. Pela primeira vez não fui interrompido. Finalmente havia encontrado alguém, ainda que desconhecido, para desabafar. Entre um gole e outro, narrei para aquele homem todos os detalhes dos meus vinte e dois anos de existência.

Os viajantes, ancorados no velho trapiche, olhavam assoberbados àquela cena.

Os raios do sol já apareciam tímidos no horizonte. Ainda embriagado me despedi daquele homem calado e sereno. Saí cambaleando pelas ruas tortas da cidade, vasculhei meus bolsos e encontrei algumas moedas, suficientes para entrar no coletivo e ir para casa.

Alguns dias depois voltei ao local da embriagues, agora lúcido, e observei que naquela noite, durante longas horas, São José foi meu companheiro. Justamente naquela noite que eu havia desistido de viver, encontrei, na minha utopia, um amigo que apenas me ouvia, mas que no seu silêncio me deu o consolo que eu precisava. Depois desta noite eu decidi viver mais um pouco. Para falar a verdade, até quando Deus quiser. Hoje constantemente nos encontramos para conversar, às vezes lúcidos, às vezes embriagados. Ele não me censura, apenas fica me ouvindo e juntos ficamos olhando o rio-mar.



Escrito por Paulo Ronaldo às 14h38
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Essa crônica foi a última da série Viadialdo. Espero que tenham gostado. Acho que pra semana vou contar outras histórias do Zé.



Escrito por Paulo Ronaldo às 12h09
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Viadialdo e  o extraterrestre

(Crônica V)

 

A vida como religioso não durou muito  tempo. O pastor Viadialdo não conseguiu  muitos adeptos à sua religião, além de sua mãe, contra a vontade, que fique registrado, e o irmão caçula, cujos olhos grandes denunciavam o parentesco. Sem emprego, o ex-psicólogo, ex-diretor cultural, ex-diretor do Teatro Tucuju, ex- diretor do Forte, ex-esportista, ex-pastor, ficava perambulando pelas ruas da cidade, à procura do nada. Todos os amigos haviam lhe abandonado, estava só. Mas acreditava que veio ao mundo predestinado a realizar uma missão especial. E mais uma vez o destino ou coincidência  mudou novamente a vida do nosso personagem.

O fato aconteceu quando Viadialdo tentava explicar para um grupo de quatro cães a importância dos irmãos Lumière para o cinema mundial e do socialismo dentro de uma sociedade. Quando ia falar sobre Marx, viu passar, a pouco mais de 200 metros, um objeto voador não identificado.

O OVNI fez uma manobra de 360 graus e ficou parado, por alguns segundos, em frente ao rapaz e lentamente o objeto foi descendo ao chão.

- Valha-me, Deus! - estas foram suas únicas palavras, antes de ser afetado por um raio paralisante, para em seguida ser abduzido. No interior da nave estavam cinco ETs, que se não fosse pelo fato de terem vindo num disco voador, qualquer um poderia jurar que eram parentes de Viadialdo. A diferença era apenas na cor, pois os grandes olhos eram idênticos.

- Terrestre - falou um deles. - Viemos de um planeta distante e queremos analisar algumas amostras de sua espécie, por isso vamos levá-lo conosco. (Continua)



Escrito por Paulo Ronaldo às 12h08
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O rapaz, em silêncio, apenas observava com os olhos tão grandes quanto os dos visitantes.

- O que querem de mim? -  finalmente falou.

- Queremos analisar o comportamento mental dos  terrestres - respondeu o ET. Os olhos grandes de Viadialdo começaram a brilhar, enquanto ele pensava: “entre toda a humanidade eu fui escolhido. Seres de outros planetas perceberam a minha existência”.

- Por que fui escolhido? - perguntou.

- Foi o primeiro que encontramos.

Não era essa exatamente a resposta que o rapaz esperava, mas que importância tinha isso agora? Os Ets colocaram um objeto semelhante a um capacete e através dele puderam observar toda a trajetória de Viadialdo. Após algumas horas de analise, deixaram o rapaz no mesmo local onde o encontraram. Os extraterrestres chegaram à conclusão que toda a cidade Tucuju já sabia: que ele era o maior demente das galáxias, do universo, do cosmo, de tudo. É claro que omitiram esta informação ao rapaz.

Viadialdo saiu correndo para contar a Deus e ao mundo que fora abduzido, e que os ETs afirmaram que ele era um ser especial. Lembrou da mãe, queria que ela fosse a primeira a saber da grande notícia. Contou-lhe tudo. Sua mãe, serena e um pouco mais sã, apenas respondeu: meu filho, tu já tá fumando maconha de novo. Deixa essa vida e vai vender picolé.



Escrito por Paulo Ronaldo às 12h07
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Viadialdo, o imortal

(Crônica IV)

 

 

Era dia de luto na cidade de Tucuju. A  tristeza  era transparente nos olhos daqueles que, por alguma razão, admiravam Viadialdo. Duas ou três pessoas, além de sua mãe. Ninguém aceitava a tragédia. Não compreendiam porque um homem, aparentemente saudável, embora  louco, fora arrancado tão bruscamente do seio de sua família. Seio mesmo. Viadialdo mamava aos 35 anos.

O leitor, curioso, talvez queira saber detalhes desta morte tão súbita.

Tudo começou depois do lamentável episódio ocorrido no Forte Tucuju e da pena de um ano cumprida no Manicômio Municipal. Viadialdo mudara completamente seu comportamento. Não existiam mais em sua cabeça projetos mirabolantes. Estava são, de acordo com o diagnóstico do médico, responsável por seu tratamento, que por coincidência era seu primo.

- Espero que você tenha abandonado por completo seus projetos. Não quero mais vê-lo por aqui.

- Hoje tenho consciência que minhas idéias eram loucas demais. Abandonarei a psicologia, a cultura e vou virar esportista - disse o paciente, com os olhos tão grandes quanto os de seu primo, o que deixava visível o parentesco.

- Ótimo! O que você pretende fazer? - perguntou o primo olhudo.

- Quero ser o primeiro a atravessar o rio Tucujuzinho - disse sorrindo.

- Muito bem, muito bem, a natação é um excelente esporte.

- Não! Eu vou atravessá-lo a mergulho. (Continua...)



Escrito por Paulo Ronaldo às 10h33
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O primo sorriu e creditou que se trava de uma doce piada.

Se concretizado, seria realmente um feito grandioso, principalmente se levasse em contra o fato de que o rapaz se afogava até com  água do banheiro.

Durante dois meses, o trabalho de Viadialdo foi preparar o equipamento para realizar o que não deixava de ser mais um louco projeto.

O que ninguém sabia é que o rapaz queria atravessar o rio Amazonas  andando por baixo d’água. Quando finalmente concluiu  sua roupa especial, que pesava mais de cinqüenta quilos, comprou o equipamento de filmagem. Estava disposto a fazer sua aventura no anonimato, para depois mostrá-la ao mundo.

Esperou a maré encher e atirou-se nas águas turbulentas do rio. Pela distância em que o corpo foi encontrado, os peritos concluíram que o rapaz deu  pouco mais de vinte braçadas ou passadas, já que ele ia andando.

- Pobre rapaz, não teve tempo nem para retirar esta armadura - disse o perito.

- Não ia adiantar, moço: ele não sabia nadar - comentou a mãe de Viadialdo - ele iria morrer que qualquer jeito. Foi melhor assim. (Continua ...)



Escrito por Paulo Ronaldo às 10h33
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E lá estava , dentro de um belíssimo caixão, o corpo de um homem que foi incompreendido em seu tempo. Ao lado do corpo estava sua mãe, o dono da funerária, querendo receber o seu dinheiro, e alguns curiosos. Para azar do pobre rapaz, justamente no dia em que morreu, a cidade estava em festa. Churrasco e cerveja grátis para o povo. Ninguém nem lembrou de sua morte ou, se lembrou, todos estavam comemorando.

No cortejo faltaram braços para carregar o caixão. O jeito foi levar em um carrinho de mão. Nem o padre compareceu, alegando uma gripe forte.

Mas no momento que o coveiro ia depositar o corpo no buraco, para espanto de todos, o defunto gritou: “Não me joga não! Deus me deu mais uma chance”. Tarde demais, o coveiro se assustou, como todos, e largou de uma só vez o caixão. O povo, quatro pessoas, saiu em disparada. Um deles ainda comentou: “acho que dessa vez ele foi”. Mas como não havia lugar, nem no céu e nem no inferno, o rapaz voltou. Dizia agora que queria ser chamado de “pastor Viadialdo” e que era enviado especial de Deus.

 



Escrito por Paulo Ronaldo às 10h32
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VIADIALDO  E  O FORTE TUCUJU

(Crônica III)

Novamente a cúpula da Fundação Tucuju se reuniu para solucionar mais um problema causado por Viadinho. “Onde foi que erramos?”, se indagavam os diretores.

- Desta vez vou acertar - disse o presidente - ele será diretor do Forte Tucuju, lá ele não  poderá fazer nada de anormal.

Quando foi comunicado, Viadialdo abriu seus grandes olhos e deu um sorriso maroto. Sinal de projetos à vista. No entanto, de acordo com os outros diretores, não havia nenhum perigo. Todas as verbas foram cortadas e, sem dinheiro, a única coisa que Viadinho poderia fazer era vigiar o forte.

Durante dois anos, Viadialdo não fez nada de anormal, apenas economizou salário após salário. Ninguém  podia imaginar o que aquela mente utópica tramava.

Viadinho usou sua influência junto a alguns  psicólogos e conseguiu, de alguma forma, recrutar alguns pacientes da psiquiatria.

Tudo foi feito às escondidas. Os “recrutas”, como Viadinho os chamava, começaram a recuperar os velhos canhões, desativados há mais de um século.

Tudo estava  pronto. Com a economia dos salários,  Viadinho comprou pólvora e balas para os canhões. Deu um sorriso que só os loucos sabem dar. A trama estava completa.

Viadinho chamou seus recrutas e lhes disse:  “estamos em guerra. Precisamos proteger o castelo dos loucos, pois a cidade Tucuju está cheia deles”. (continua...)



Escrito por Paulo Ronaldo às 09h16
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A partir desse dia, navegar pelo rio Tucujuzinho era um perigo. Na verdade uma tarefa quase impossível. Viadinho naufragava todos os barcos e navios que se aventuravam por aquelas águas. “São inimigos”, dizia ele. “Atacar!”.

As autoridades, logo que souberam, tomaram as devidas providências. Mas as negociações não andavam e qualquer tentativa de paz era em vão. “Todos são inimigos”, afirmava Viadialdo.

O  Exército  foi acionado, mas Viadinho não se amedrontou e passou a combater as Forças Armadas. A missão, muito delicada.  Era preciso invadir o forte, prender Viadinho, sem causar nenhum dano ao monumento que já havia sido tombado pelo Patrimônio  Histórico Nacional.

O único problema era justamente a tática de defesa e ataque utilizada por Viadialdo, digna das mentes mais brilhantes. Duas semanas depois de ter declarado guerra, a munição do “ castelo” acabou. Desesperado, Viadinho começou a atirar pedras nos soldados que escalavam o forte. Não havia como lutar. No desespero, o rapaz parodiou Tiradentes: “Viva a inconfidência Tucuju”.

Finalmente, após horas de negociações, Viadialdo se entregou sem oferecer nenhuma resistência, além da  mordida na mão de um dos soldados. Na manhã seguinte, o escândalo foi  para  as manchetes do Jornal Diário Tucuju

“Viadinho cumprirá pena em manicômio”.

Sua mãe apenas lamentava a falta de aptidão do filho.

- Bem que eu avisei para esse menino - dizia ela - que  a cultura ainda ia enlouquecê-lo. Vender picolé é tão mais simples. Mas ele não me ouve.



Escrito por Paulo Ronaldo às 09h16
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Viadialdo e os Bacabeirinhos (Crônica II)

 

 

Após o triste episódio ocorrido na  muralha do grande Forte, Viadialdo caiu em profunda depressão. Durante o dia o pobre rapaz trancava-se em sua pequena sala, na Fundação Tucuju, e ficava despachando, sem receber ninguém. Às vezes abria sua velha maleta e lia e relia seus vários projetos, sem entender o porquê de não serem aprovados. Dizia para si mesmo:

- Eles não entendem o progresso. Tucuju ficaria famosa se realizasse um Festival de Rock na Lua. Seríamos os primeiros, ora bolas.

A tristeza de Viadialdo  começou a ficar visível. O rapaz  não se alimentava e quase não falava com ninguém. Sua mãe, uma senhora de 65 anos, alertava o filho.

- Viadialdo, sai dessa fundação, meu filho, isso é coisa demais para sua cabeça.

A mãe, os raros amigos, todos o aconselhavam, mas era em vão. Viadinho, como era apelidado pelos amigos - pouco mais de dois - permanecia firme em suas idéias. Não abria mão de  nenhum projeto. Dizia que eles o tornariam  conhecido no mundo inteiro. Já imaginava uma estátua em sua homenagem, por ser o primeiro a realizar um evento fora da Terra.

Na Fundação Tucuju, todos se mostravam preocupados com a sandice do pobre rapaz. Porém, sabiam que afastá-lo do cargo de diretor culturalíssimo seria o mesmo que apunhalá-lo no peito. Todos sabiam que se isso acontecesse seria o fim de Viadinho. Mesmo sendo louco, todos o amavam e por isso mesmo procuraram um meio de afastá-lo de projetos tão utopiantes.

- Vamos dar outro cargo a ele - disse um dos vários diretores daquela fundação.

- Mas qual?- disse o outro, que nem mesmo sabia o cargo que exercia. Era diretor, mas não sabia de que. (continua...)



Escrito por Paulo Ronaldo às 14h15
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- Tem de  ser um cargo que o afaste definitivamente desses projetos - lembrou outro, que não era diretor, mais sim um Aspone (Assessor para Assuntos de Porra Nenhuma).

- Ele será diretor do Teatro Tucuju, lá ele não pode desenvolver tais projetos - disse o presidente, depois de horas pensando.

Viadialdo recebeu a notícia com muita felicidade. Dizia que este sempre foi seu sonho e blá, blá, blá. O objetivo foi atingido. Viadinho pegou sua pequena maleta e queimou todos os projetos. Enquanto os incinerava, seus olhos grandes brilhavam. Dentro de sua cabeça, mil coisas passavam ao mesmo tempo. Ninguém acreditava no que estava vendo. Aparentemente,

Viadinho  estava lúcido e não falava mais em projetos. No primeiro mês, ninguém pôde negar, Viadinho administrou o Teatro Tucuju com muita seriedade. Um dia, porém, observando as bacabeiras e um pequeno lago em torno do teatro, Viadialdo  teve  mais uma das suas mirabolantes idéias.

- Eureca! Fui iluminado pelos deuses mais uma vez.

Disse isso e saiu correndo em  direção à sua sala. Duas horas depois chamou todos os funcionários do teatro e lhes mostrou o projeto Bacabeirinhos.

Viadinho explicou que o projeto Bacabeirinhos consistia em transformar a área alagada em uma piscina, e em seguida recrutaria garotos de  12 a 14 anos, os “bacabeirinhos”, para prepará-los para as olimpíadas de 2016.

- Vejam a grandeza desse projeto, seremos o primeiro teatro do mundo a mandar uma equipe de natação para as olimpíadas. Isso não é fabuloso? Era impossível falar para aquela infeliz criatura que aquilo era a maior de todas as sandices já citadas. Quando um funcionário tentou falar, Viadialdo disse que o projeto era muito mais amplo do que todos imaginavam. (continua...)



Escrito por Paulo Ronaldo às 14h15
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- Existem salas demais neste teatro. Não ocupamos todas elas. Para que não fiquem ociosas, nós vamos alugá-las. Ah! Eu ia esquecendo, na área principal do teatro, durante a semana, irá funcionar um bacabelógromo. Assim os camelôs terão mais um espaço para vender seus produtos - e continuava a explicar.

Viadialdo estava empolgadíssimo com a narrativa. A surpresa dos funcionários veio apenas fortalecer sua utopia.

- Estão vendo? - dizia ele. - Nós vamos expandir o que se entender por  teatro no mundo e blá, blá, blá...

O presidente da Fundação, ao ser comunicado, logo tentou fazer com que Viadinho desistisse de seu projeto. Convencê-lo foi uma tarefa quase impossível, mas como louco com louco se entendem. Depois de 72 horas de conversa o presidente conseguiu mudar a opinião do rapaz. Na semana seguinte, quando tudo parecia ir bem, parou um caminhão e descarregou várias toras de madeiras. Um funcionário avisou Viadialdo do engano do motorista.

-Não, meu rapaz, não  é engano, está tudo sobre controle. Amanhã vamos inaugurar aqui no teatro a Serraria Tucuju.



Escrito por Paulo Ronaldo às 14h15
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A partir de hoje vou publicar uma série de cinco crônicas que falam sobre a mesma pessoa. Quem é, na verdade não importa, mas o cara atrapalhou tanto a minha vida quando era diretor cultural que resolvi imortalizá-lo. O Paulo Tarso gostou do texto, mas disse que o dito cujo não merecia uma linha sequer. Bom, espero que gostem.



Escrito por Paulo Ronaldo às 09h18
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Viadialdo, o alienista (Crônica I)

 

 

Machado de Assis que me perdoe, mas o Dr. Bacamarte era são, se comparado com Viadialdo, um rapaz medíocre, de baixa estatura e grandes olhos. No amor, Viadialdo era um desastre. Não compreendia nada, dificultava as coisas mais simples. Sua mãe dizia:  “Viadialdo, presta atenção meu filho”. Era em vão, o garoto não tinha aptidão para nada.

Aos trancos e barrancos ele cresceu. E para compreender a si mesmo, o complicado rapaz formou-se em Psicologia. Porém, tudo o que conseguiu foi ficar mais confuso, sua mãe o alertava: ‘‘Meu filho, deixa esta vida. Psicologia  não é teu forte, vai vender teu picolé’’.  Um dia, a sorte bateu em sua porta. O convidaram para ser Diretor Cultural da pequena cidade de Tucuju. O rapaz, afoito, logo aceitou o convite. Sua mãe, com os olhos mais abertos, sentiu-se na obrigação de alertar o filho: ‘‘Viadialdo, não inventa moda, cultura ainda é mais complicado que psicologia”.

Porém, o rapaz estava certo de que havia encontrado sua vocação, apesar de não conhecer nada sobre cultura. Tucuju era uma cidade cultural e o psicólogo logo se viu confuso. Fazer o que com tanta cultura? De início fez vários projetos, cheios de boas intenções, é verdade, mas eram projetos de urbanização, projetos lunares. O jovem rapaz esqueceu que era diretor cultural.

Logo vieram as críticas. E para se defender, Viadialdo explicava as teorias de Freud, às vezes até Aristóteles, um gênio da matemática, que segundo Viadialdo, a soma dos quadrados dos catetos é igual a uma sextilha. E por aí afora. Já totalmente enlouquecido, o rapaz de olhos grandes organizou um Festival de Rock. Uma prévia, porque na verdade Viadialdo  queria que o mesmo fosse realizado na Lua.

Quando  todos dançavam ou pulavam, não se sabia muito bem, Viadialdo, envolvido pelo rock, pediu para que todos dessem cabeçadas na muralha do grande Forte, para que esta fosse quebrada. Neste momento, a multidão revoltada com a idéia pegou o jovem mancebo e o atirou contra o paredão de pedra. Sua mãe inconsolável dizia: ‘‘Eu disse para este menino ir vender picolé. Mas ele nunca me ouve”.



Escrito por Paulo Ronaldo às 09h17
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Outras histórias do Zé

 

Bom, não resistir e a atendendo a pedidos vou contar mais uma história do Zé.

 

O Adriano era cinegrafista e foi demitido. Passados duas semanas ele voltou ao prédio do SBT, para esperar um colega e ficou sentado na recepção esperando o dito cujo sair, eis que entra o Zé.

“Ei, ei, ei, ei meu irmão, o que é tu faz ai parado? Ta, ta todo mundo trablhando. É por isso, é por isso que as coisas não vão pra frente... bem aqui”.

O Adriano, meio sem jeito, respondeu: “Seu Zé, o senhor me demitiu semana passada, lembra”.

O Zé para não ficar perdendo não pensou duas vezes.

“Meu, meu irmão, meu irmão, então tu, tu, tu tá contratado de novo. Pega a câmara e vai pra rua, meu irmão”.

 

E o Roberto Gato que foi contratado para ser o diretor geral de jornalismo. Ele que conta bem essa história. No primeiro dia de trabalho o Zé lhe mostrou a sala onde ele trabalharia. Tudo eram flores.

“Tu, tu é bom meu irmão. Eu vou, eu vou, eu te pagar em dólar, tu vai ficar rico, junto comigo. Nós, nós, nós vamos fazer o melhor jornal do Amapá”

Passados alguns dias, sem mais, nem menos, na segunda-feira Roberto Gato chega para trabalhar e cadê sua porta? O Zé simplesmente tinha mandado colocar uma parede de alvenaria no lugar da entrada. E lá foi o Gato saber o que tinha ocorrido.

“Meu irmão, meu irmão eu resolvi fazer umas mudanças, mas, mas não te preocupa, eu já, eu já falei pra Lurdes e ela vai te dar dez mil dólar por esses cinco dias de trabalho”.



Escrito por Paulo Ronaldo às 08h50
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